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criação com apego

Criação com Apego: Como aplicar a teoria?

A criação com apego é baseada na teoria do apego, criada pelo psicólogo John Bowlby, que prega que o bebê possui três necessidades básicas: proteção, previsibilidade e proximidade. Ele apresenta a ideia de que os bebês, sendo seres totalmente dependentes, têm uma necessidade muito grande de se sentirem seguros, especialmente nos primeiros meses de vida.

Como um instinto de sobrevivência, os bebês se apegam aos seus cuidadores e são eles, através do contato, da permanência, da proximidade e da convivência, que vão ajudar as crianças a se desenvolverem física e emocionalmente.

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O que é a criação com apego?

A criação com apego prega que os pais atendam de maneira consciente e amorosa as necessidades da criança, baseados sempre no respeito e empatia. O principal objetivo é favorecer o estabelecimento de um vínculo saudável entre pais e filhos. Ela pode ser utilizada com bebês e também com crianças maiores.

Essa é uma escolha que demanda mais dos pais, pois eles precisam estar atentos e próximos. As crianças se apegam a quem cuida delas, por isso a proximidade é fundamental. Quanto mais próximos e presentes os pais estão, com mais naturalidade é criado um vínculo forte entre eles e os filhos.

Porém, isso não significa que os pais precisam parar de trabalhar, nem deixar de cumprir com os seus compromissos, mas sim se esforçar para terem momentos de qualidade, onde poderão prestar atenção na criança e restabelecer o vínculo com ela.

Muitas pessoas acreditam que a criação com apego forma crianças dependentes, mas é o contrário. Quando sabem que têm com quem com contar, sendo criados por pais sintonizados com as suas necessidades, a criança desenvolve independência e segurança, de maneira saudável e feliz.

Conforme vai crescendo e se desenvolvendo, a criança passa a não precisar mais desse contato tão constante e pode explorar o mundo e se relacionar com outras pessoas.  Por isso, a criação com apego está ganhando cada vez mais adeptos.

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Ferramentas que ajudam os pais

A criação com apego é pautada em oito princípios, que servem como ferramentas para ajudar os pais, porém não são regras, nem um manual a ser seguido. São pensamentos, que têm início ainda antes da gestação.

Cada família é única e tem diferentes realidades e recursos, assim, é importante ler e avaliar, para então aplicar aquilo que faz sentido e se adapta melhor às necessidades dessa família.

Preparando para a gestação, nascimento e criação

Os pais devem se informar e refletir sobre os tipos de parto e qual desejam, como querem criar os seus filhos, se preparar física e emocionalmente para a chegada do bebê, conversar sobre as suas preocupações, discutir possibilidades, ler sobre amamentação, sobre diferentes filosofias de criação, se empoderar para tomar decisões conscientes. Essa preparação, além de ir criando um espaço emocional para que o bebê exista, também ajuda os pais a terem expectativas realistas em relação a maternidade/paternidade.

Alimentando com amor e respeito

A amamentação é um dos primeiros vínculos de segurança estabelecido entre mãe e filho. Amamentar em livre demanda, isto é, quando o bebê quer, é uma maneira de alimentar com amor, respeitando as necessidades do bebê. Além de nutrir fisicamente, também oferece aconchego, contato e segurança.

Para as mamães que precisam oferecer o leite artificial, é importante também fazer com amor e respeito. Independente do método, durante a amamentação, olhe para o bebê enquanto ele mama, segure ele perto do seu peito, converse com ele e observe os sinais que ele dá quando está com fome. É importante também ficar atento aos sinais que o bebê dá quando estiver pronto para a introdução alimentar e fazer o desmame, seja do peito ou da mamadeira, de maneira gentil.

Respondendo com sensibilidade 

Atender emocionalmente o bebê, estar sensível às suas necessidades e com isso estabelecer uma relação de segurança. Isso significa não deixar o bebê chorando e tentar identificar o que fez ele chorar, não forçar ele a estar com outras pessoas, respeitando o seu ritmo, dar conforto quando ele estiver com raiva ou triste, demonstrar interesse pelas atividades do seu filho, dar colo e aconchego.

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Usando o contato afetivo

O contato afetivo é uma força de estreitar laços, além disso, estimula o crescimento do bebê, melhora o desenvolvimento intelectual e motor, ajuda a regular a temperatura do corpo, cardíacos e melhora os padrões de sono. Os bebês precisam de colo e contato, por isso, abuse do uso do sling. Podem ser feitas massagens, e aproveitar os momentos de brincadeira, durante o banho e as mamadas para exercitar o contato afetivo.

Garantindo um sono seguro, física e emocionalmente

Os bebês se beneficiam muito da proximidade e isso faz com que se sintam seguros. Durante a noite, podemos proporcionar essa segurança deixando o bebê dormir no quarto dos pais (co-sleeping). Ele pode ser feito, por exemplo, com um berço acoplado a cama dos pais, assim o bebê fica perto, os pais conseguem ficar mais descansado e atender às suas necessidades.

Provendo cuidado consistente e amoroso

A presença é muito importante, porém, infelizmente temos uma licença maternidade curta. Além disso, os pais precisam trabalhar, mas isso não precisa ser um problema. Mesmo assim eles podem exercer a criação com apego. Os pais podem tentar incluir ao máximo o bebê nas atividades, tendo uma rotina respeitosa, adaptada às necessidades do bebê. Ter alguém de confiança para ficar com o bebê, que esteja em harmonia com o estilo de criação dos pais, também é fundamental.

Praticando a disciplina positiva

Tratar os filhos como gostaríamos de ser tratados. Educar a criança de maneira empática e respeitosa, sem punições ou autoritarismo, tentando compreender os comportamentos e ajudando a criança a entender os seus sentimentos. As crianças aprendem muito observando os pais, então o seu comportamento vai ensinar muito. Dê exemplos positivos, tente se acalmar em momentos de muita tensão, se desculpe quando for necessário.

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Mantendo o equilíbrio entre a vida pessoal e familiar

Os pais também tem as suas necessidades e elas não podem ser esquecidas. Quanto menor for a criança, mais necessidades ela terá e encontrar um equilíbrio pode ser muito difícil, mas procure encontrar soluções criativas para ter um tempo para você, trace metas realistas, crie uma rede de apoio para dividir as tarefas.

Os pais podem ter em mente esses princípios e lidar com eles da forma que acharem melhor, mas lembrando que a criação com apego nem sempre consegue dar conta de todas imprevisibilidades e obstáculos da vida. Por isso é importante ser flexível e não se sentir culpado, caso algo não saia como planejado. Ir se adaptando conforme a realidade do bebê e tendo a certeza de que estão fazendo o seu melhor.

 

Bruna Osorio – Psicóloga Clínica

CRP: 06/118617

Facebook: Bruna Osorio Psicologia

 

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