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Papai Comédia

Dia dos Pais: entrevista exclusiva com o Papai Comédia

Em menos de um ano, o Papai Comédia já ultrapassou a marca de 1 milhão de curtidas no Facebook. Atrás do sucesso da página está o humorista Fernando Strombeck, que tem nove anos de carreira em apresentações de stand up comedy e agora compartilha o seu bom humor com milhares de pais e mães nas redes sociais. O Papai Comédia teve início quando a sua esposa Flávia estava no terceiro mês de gestação da pequena Luísa (ela tem atualmente 1 ano e 1 mês de idade), que esbanja simpatia nas divertidas fotos que protagoniza ao lado do pai. Fernando buscou informação e não encontrou nada que tivesse o pai como foco. Foi aí que teve a ideia de criar o Papai Comédia!

O conteúdo da página conta com uma boa dose de humor, por meio de vlogs, crônicas, muitas fotos com Luísa, além de compartilhar materiais de terceiros que trazem temas como filhos, educação paternidade, maternidade, gravidez, etc. De acordo com Fernando, o humor é utilizado para transmitir a mensagem de forma mais leve, já que, na maioria das vezes, os temas podem ser desinteressantes para os pais. “É desta forma que consigo driblar o preconceito e abrir a cabeça dos homens para alguns tabus da paternidade, já que para alguns o papel principal é da mãe”. Por isso, um dos destaques da página é a paternidade ativa.

E para mostrar o lado do pai nesta semana especial de Dia dos Pais, entramos em contato com o Fernando que prontamente nos atendeu e topou conceder uma entrevista exclusiva para o Ficar Grávida!

Papai Comédia

Créditos: Fábio Augusto

 

Papai Comédia: um outro olhar sobre a paternidade

 

Como surgiu a ideia de criar o Papai Comédia?

Eu sou comediante de stand-up há nove anos, e neste tipo de segmento acabamos falando do que acontece em nosso cotidiano, questões pessoais mesmo. Logo quando a minha esposa engravidou, comecei a pesquisar bastante sobre gravidez até pra levar isso para o palco de forma bem humorada e compartilhar com o pessoal esse momento que eu estava vivendo. Nestas pesquisas, me deparei com muitas mães falando sobre gravidez e poucos pais. Fiquei um pouco incomodado. Me questionei sobre o pouco envolvimento do homem. Por que eles não falavam sobre isso?

Resolvi então transformar esse conteúdo produzido por mães, cujo formato não interessa para o homem. É cultural que o pai não seja incentivado desde a gravidez. Não se discute com o pai questões como plano de parto ou parto humanizado, por exemplo. Há uma certa barreira. Então, peguei esse conteúdo e comecei a entregá-lo de forma engraçada, com o meu ponto de vista. As mães começaram a enviar relatos de que os maridos liam os meus textos e se tornaram mais presentes. Isso acabou me incentivando a continuar com a página. Hoje o Papai Comédia está consolidado e fico feliz de estar nessa missão, de aproximar o pai de todos os aspectos da gravidez e da criação dos filhos.

 

Como você avalia o sucesso da página?

Está fazendo sucesso? Não estou sabendo. É verdade isso? (risos) Eu acho que todos os aspectos que envolvem família estão sendo muito discutidos hoje. A maternidade, a nova paternidade, a divisão de tarefas, as mulheres em busca de igualdade… estamos conseguindo mudar um pouco a sociedade em relação a isso. E o homem também está atento a estes assuntos, a este novo papel. Antigamente a gente tinha essa visão que o homem tem que trabalhar e pronto. E hoje ele sabe que se ele se envolver, isso vai ser bom pra ele, pra mulher dele, pro filho dele. E o Papai Comédia evidencia esse novo cenário. A página mostra a rotina de um pai ativo, o quanto isso está sendo importante na criação da filha dele. E eu tento compartilhar o máximo, para deixar isso muito latente. As mães marcam os maridos, alguns amigos compartilham com outros pais e a gente vai criando essa comunidade de discussões e aprendizado. O sucesso da página é justamente esse: levantar essas questões importantes e sérias com um tom bem humorado e informativo também. Essa é o grande lema do Papai Comédia atualmente.

 

As fotos com a Luísa são um diferencial. Ela sempre colabora com a proposta?

A Luísa adora a tirar fotos. A gente começou muito cedo e ela está bem habituada, embora agora ela esteja começando a ficar mais agitada e fica difícil pegar uma reação ou outra. Tentamos duas ou três vezes, mas respeitamos os limites dela. Se é um dia que ela está cansada, com sono, não forçamos. Tentamos deixar esse momento o mais divertido possível. E ela acaba respondendo de forma bem legal e natural.

Papai Comédia

Créditos: Fabio Augusto

 

Fala um pouco sobre livro “Papai Comédia – Da descoberta ao parto humanizado”. Você acredita que estava faltando este tipo de publicação que converse diretamente com os homens? Em uma linguagem mais despojada?

O livro conta semana a semana como foi a gravidez da minha esposa, as minhas descobertas, histórias engraçadas e várias dicas. É um livro que eu gostaria de ter lido quando eu descobri que ela estava grávida, mas não encontrei nada do tipo. Acredito que daqui pra frente vai começar a surgir mais títulos do tipo, até porque é um assunto que está muito em evidência e é muito importante que o pai se envolva com esses temas desde a gravidez.

E embora seja um livro escrito para o pai, acho que as mães estão aceitando muito bem. Primeiro porque a mulher é naturalmente mais curiosa e ela quer saber o que um pai tem a dizer sobre a gravidez. Às vezes surge um depoimento ou outro de mães falando que compraram o livro para presentear os maridos e elas acabaram lendo antes. E consequentemente elas levam as questões do livro para a relação e o diálogo acontece. Essa é a grande sacada. Despertar no pai a consciência de que ele tem que participar, tentar entender esse momento da mulher e discutir esses assuntos, até para passar mais segurança para ela. Afinal, uma família está sendo construída ali. O homem estar mais presente pode ser o grande diferencial para a mulher enfrentar o turbilhão de transformações que estão por vir com mais segurança. Então é um livro que foi feito para a mulher e para o homem. Estou muito feliz com o retorno que ele está conseguindo e espero que ele faça a diferença nesta fase tão importante.

 

Sobre o público que te segue nas redes sociais. Os homens são a maioria?

Não são não! A maioria das pessoas acredita que a minha página atrai mais homens, até por se chamar Papai Comédia, mas é o inverso. Mais de 60% do meu público é feminino. Há um tempo era até maior essa proporção, mas os homens estão começando a aderir. Na verdade muitas mães me seguem apenas pra marcar os maridos (risos). Eu espero um dia que o público masculino seja a maioria, mas por enquanto as mulheres estão fazendo bem esse papel (marcando os maridos e disseminando o conteúdo da página com o público masculino).

 

Como pai, quais foram os maiores desafios na gravidez? E depois que a Luísa nasceu?

Durante a gravidez, o maior desafio envolveu a escolha do tipo de parto. Ambos viemos de famílias onde foram realizadas diversas cesáreas. E optamos desde o início pelo parto humanizado hospitalar, então foi muito difícil convencer os familiares mais próximos de que aquela escolha era o melhor para a nossa família, para a nossa filha. Procuramos levar informação, vídeos, textos, depoimentos, para que eles pudessem entender melhor. E quando todos viram que estávamos seguros e felizes com esta escolha, nós também ficamos mais confiantes.

E depois do parto,o que não falta é desafio. E em várias intensidades. Tem o momento que você está com o filho doente de madrugada e você fica completamente sem chão. E até desafios pequenos, como cortar a unha de um recém-nascido. Todo dia é um desafio diferente. Esse é o gostinho da paternidade. É encarar isso e enfrentar, e depois que a gente conseguir vencer, ser retribuído com um sorriso, um abraço. Isso torna qualquer desafio muito simples, fácil e gostoso de ser enfrentado.

 

O que mais te surpreendeu na paternidade?

Eu acho que ninguém duvida da capacidade que a mulher tem de parir, de educar, de criar um filho. Mas depois que o bebê nasce, a gente passa a respeitar muito mais as mulheres. Eu realmente fiquei surpreso com toda a transformação da minha esposa, ver a sua garra ao enfrentar um um parto humanizado foi incrível. Além de vê-la enfrentar todos os problemas do pós-parto, os hormônios, os primeiros cuidados com a Luísa. E a cada dia eu me surpreendo mais com o vínculo entre elas. Isso me inspira a ser um pai mais presente, mais lutador, um pai que acolhe, tanto a minha filha quanto a minha esposa.

Papai comédia

Crédito: Fabio Augusto

 

O que mudou em você depois de se tornar pai?

Fora as olheiras, a calvície também aumentou um pouquinho, o sono sofreu uma grande mudança (risos)… as mudanças físicas foram muitas, mas a mais forte é que a gente passa a respeitar mais a ideia de família e a respeitar mais a esposa. Outra questão é o valor que damos ao tempo agora também. Acho que antes de eu me tornar pai, talvez eu desperdiçasse mais o meu tempo. Hoje em dia se eu tenho 15 minutos livres, eu prefiro muito mais brincar com a Luísa do que ficar no celular, vendo vídeos. A gente passa a dar mais valor à vida mesmo!

 

Como você enxerga o papel do pai atualmente? Hoje é mais comum encontrar homens que realmente criam os filhos, fazem dormir, trocam fralda, etc. Acha que esse cenário ainda está em transição ou é algo que realmente mudou com essa geração?

Acho que é uma mudança que está acontecendo, mas ela é lenta. Bastante lenta infelizmente, até porque temos muitos costumes que já estão enraizados. E tem relação com muita coisa. Machismo, influências culturais que são passadas há gerações e muitas pressões sociais que enfrentamos. Tudo isso tem que ser combatido. E como defensor dessa causa, acho que uma das ideias do Papai Comédia é justamente essa, de influenciar outros pais, que vão influenciar outros e assim vamos mudar este cenário e transformar isso de forma mais acelerada.

E da mesma forma que tem pais influenciando outros homens, a gente acaba influenciando mães também. É importante mostrar que os pais estão participando, que são capazes de criar os filhos de forma saudável e acabar abrindo os olhos de muitas mulheres. Porque da mesma forma que há pais que não participam e não querem, tem homens que desejam ser incluídos mas encontram barreiras nas próprias parceiras. Acho que toda essa discussão é importante para a sociedade como um todo, não só para mães, pais e filhos.

 

O Papai Comédia já foi alvo dos haters? Como você lida com as críticas?

Não é tão comum eu ser alvo de haters. Às vezes a gente acaba sendo mal interpretado. Recentemente eu fiz um texto sobre aleitamento materno e falei que eu e minha esposa optamos pela amamentação em livre demanda, e acabei recebendo algumas críticas. Falaram que essa opção é dela, porque os seios são dela e eu estava tirando o protagonismo da amamentação da mulher. Mas da mesma forma que teve gente que criticou, teve gente que rebateu esses comentários falando que tudo que envolve a criação, a educação e o bem estar do filho é algo que tem que ser discutido e decidido pelo casal.

Mas no geral, eu acho que toda crítica é válida, porque abre uma discussão saudável. Meu público adora discutir esses assuntos e as discussões acabam enriquecendo a causa. E é muito bom a gente conseguir fazer com que as pessoas mudem de opinião. E embora eu tenha poucas críticas, eu penso que costumo reagir bem a elas. Se for no intuito de me fazer melhorar, eu tento absorver, até para aplicar de forma positiva no meu trabalho.

Quem quiser conhecer um pouco mais a iniciativa e conferir os vídeos e textos que o Fernando já compartilhou, acesse as redes sociais do Papai Comédia: Facebook, Instagram, YouTube e Site.

 

 

 

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