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objeto transicional

A importância do objeto transicional

Bichinhos de pelúcia, cobertorzinhos, paninhos, travesseiros, chupetas, um brinquedo, uma naninha, ou até mesmo uma parte do corpo, como os cabelos, ou as orelhas. Ele pode aparecer de diversas formas, mas é sempre escolhido pela própria criança. O objeto transicional ou de transição dá um suporte emocional para as crianças, especialmente nos momentos em que elas se sentem desprotegidas e sozinhas.

Você já deve ter visto ele nas historinhas da Turma do Charlie Brown, com o personagem Linus e seu cobertor ou nas historinhas da Turma da Mônica, com a Mônica e o seu coelhinho de pelúcia inseparável.

O pediatra e psicanalista Donald W. Winnicott utilizou esse termo para explicar o processo de desenvolvimento dos bebês. Segundo ele, os bebês nascem totalmente dependentes de cuidados e a mãe está disponível para atender todas as suas necessidades prontamente. Assim, para o bebê, ele e a mãe são uma coisa só, ele não se percebe como um ser separado e não reconhece a existência de um ambiente e um mundo externo.

Com o passar dos meses, ele vai percebendo esse mundo externo, que ele e a mãe são pessoas separadas e que nem sempre ela poderá atender as suas necessidades. Nesse momento, o bebê geralmente se apega a um objeto para ajudá-lo nessa transição.

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Qual a importância do objeto transicional?

O objeto de transição é muito comum na primeira infância e já pode aparecer a partir dos 4 meses de vida do bebê, normalmente em situações que causem alguma ansiedade, como uma mudança muito grande na rotina familiar, ou quando a mãe volta ao trabalho e também quando a criança entra na escolinha. O objeto tem funções psicológicas importantes e vai aparecer como um aliado no processo de construção de independência do bebê. Transmite segurança e conforto, especialmente nos momentos em que a mãe estiver ausente e na hora de dormir.

Ele vai adquirir uma função emocional de substituto da mãe, aumentando a confiança que o bebê tem na sua mãe, para que assim ele consiga suportar os momentos de ausência, sem se sentir totalmente desamparado e sozinho. Com o objeto escolhido, ele ficará mais calmo e se sentirá em contato com a mãe, tendo a sensação de uma continuidade no cuidado que ela exerce com ele. Em momento nenhum o objeto substitui a importância da presença e do cuidado exercido pela mãe, ele é apenas um aliado para que o bebê se acalme sozinho.

Além disso, o objeto transicional é importante para o desenvolvimento psíquico saudável. Ajuda a criança a confiar em si mesma e nos outros. E é a primeira interação com um objeto externo e que pertence ao bebê, ajudando o bebê a desenvolver criatividade, imaginação e afetividade.

objeto transicional

 

Como lidar com essa fase?

Pode ser que você não identifique o objeto que o seu filho escolheu, pois ele pode ser até mesmo um som ou um cheiro e algumas crianças não terão um objeto, ou porque não quiseram, ou mesmo porque não precisaram dele. Não há nada de errado nisso.

É importante permitir que a criança tenha o objeto e fique com ele pelo tempo que achar necessário. Não existe uma regra, algumas crianças são mais apegadas, e precisam mais do seu objeto. Elas vão poder amar e odiar esse objeto, às vezes jogando no chão, não o querendo por perto, e em outras vezes sem querer soltar nem por um instante.

Nunca esconda, nem jogue fora, nem proíba que o objeto transicional seja usado. Ele tem um significado importante para o seu filho, e com certeza essa atitude faria com que ele sofresse e até perdesse a confiança em você. Se o objeto se perder ou for esquecido, converse com a criança e explique o que aconteceu. Se não for possível resgatá-lo, pode ser que a criança chore muito e tenha dificuldade para dormir, mas ele provavelmente encontrará um novo objeto, e você pode auxiliá-lo nesse momento.

Não existe uma idade certa para que a criança deixe o seu objeto transicional, cada uma vai ter o seu próprio tempo, e é importante respeitar. O objeto vai cumprir o seu papel e aos poucos perder o seu significado, esse é um processo natural. Quando a criança estiver se sentindo mais segura, vai perder o interesse, podendo se desfazer dele. Em todo caso, se o apego for muito grande e os pais estiverem observando um comportamento que chame a atenção, é importante buscar ajuda de um profissional, para identificar o que está acontecendo.

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Bruna Osorio – Psicóloga Clínica

CRP: 06/118617

Facebook: Bruna Osorio Psicologia

 

 

 

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