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Empreendedorismo materno: um novo cenário na maternidade

Quando a licença maternidade termina, logo vem à mente a imagem da rotina agitada e todos os desafios dessa nova fase. Colocar o bebê na creche? Deixar com a vovó? Contratar babá? As dúvidas são infinitas e o coração aperta só de imaginar aquele neném tão pequeno com alguém que não seja você. É nesse dilema que o empreendedorismo materno surge como uma alternativa para quem sonha em unir o trabalho e a família.

Embora os empresários de sucesso divulgados na mídia sejam em grande maioria homens, esse universo é cada vez mais ocupado por mulheres (que bom!). E o mais incrível é que, além do sexo feminino conquistar esse espaço, hoje, o mercado de trabalho conta com um número crescente de mães. É o que diz a pesquisa feita com 1.376 mulheres pela Rede de Mulheres Empreendedoras (RME), que aponta que 75% das empreendedoras decidiu criar o seu próprio negócio após a maternidade.

Conversamos com três mulheres para compartilhar as alegrias e os desafios do empreendedorismo materno.

Empreendedorismo Materno! Quem são elas? Conheça as mamães que foram à luta

Samanta e o Mundo de Sofia

No Litoral Sul de São Paulo, em uma cidade bem pequena, vive uma mãe que assim como todas não queria perder nenhum momento com a ‘cria’. Samanta Lorena (29) é jornalista, mãe da Sofia (2) e reconhece que se encaixa na famosa categoria “mãe leoa”, característica que a impulsionou para criar o próprio negócio.

“Eu não queria perder nada e decidi que durante o primeiro ano de vida dela ‘fora do forninho’ estaria ao seu lado em todos os momentos. Não deixaria que ela sentisse a minha falta. Além disso, eu sempre fui rodeada por mulheres fortes e queria que as primeiras conquistas da Sofia fossem incentivadas por mim”.

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Entre os freelances de jornalismo, Samanta começou a produzir laços para bebês e crianças. “Notei que o nicho de laços era escasso na minha cidade. De início, a ideia era comprar os laços prontos na Capital e revender, mas minha madrinha, Silene Lorena, me incentivou a produzir. Assim surgiu o ‘Mundo de Sofia’”.

A empreendedora trabalha em casa, fazendo o atendimento via WhatsApp e as entregas em locais combinados com a cliente. “Procuro ser atenciosa e conversar bastante com as mães antes de finalizar o pedido. Lembro que eu também tinha várias dúvidas quando a Sofia nasceu e tento esclarecer todos os questionamentos, principalmente com as mães de primeira viagem”.

O grande diferencial do Mundo de Sofia, diz Samanta, é que os itens são cheios de personalidade e podem ser do jeitinho que cada mamãe sonhou. “Ao conversar com outras mães da região percebi que elas queriam itens personalizados que não encontravam na cidade. Criei a opção delas me mandarem os modelos que queriam para que eu pudesse criar algo semelhante de acordo com os seus desejos”.

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Empreendedorismo Materno: Thaíla e fantástica casa de chocolate

Assim como Samanta, o principal motivo da Thaíla Fernandes (32) para a criação de um empreendimento foi a necessidade de ficar perto dos filhos. Mãe de Derick (9) e Alyssa (7), a confeiteira escolheu o ramo da culinária para trabalhar dentro casa, com o Thay Festeira, desde a negociação com a cliente até a confecção dos doces.

“O meu filho nasceu com APLV e o gasto com o leite especial e outros custos eram mais altos do que o meu salário na época. Quando minha filha nasceu, eu me separei e precisei cada vez mais de dinheiro. Me culpo por não ter participado de diversos momentos muito singulares na maternidade e acabei largando tudo pra ter o horário mais flexível. Então voltei a fazer doces, algo que investi quando era mais nova”, diz a empreendedora.

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Empreendedorismo Materno: Natalia e a arte da empatia

Com a designer gráfica, Natalia Figueiredo Guimarães (22), o pontapé inicial e os desdobramentos pós-maternidade foram outros. “Fui descartada pelo mercado de trabalho. Percebi isso após inúmeras entrevistas com empresas que antes brigariam por mim. Sempre que eu falava que era mãe de um bebê de menos de um ano e só podia trabalhar no horário da creche, as empresas me descartavam”, conta a mãe da Sofia (3).

Foi em meio às dificuldades que Natalia encontrou a grande solução: abrir uma agência de consultoria de marketing para empreendimentos de sobrevivência. “Eu já tinha uma formação básica em design gráfico e foi nela que me apoiei para iniciar meu empreendimento, mas eu não queria concorrer com gráficas rápidas e grandes agências. Encontrei, então, esse nicho. Resolvi me especializar nele e ajudar principalmente mães empreendedoras, pois elas carecem de um serviço de qualidade, com valores reais”.

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Empreendedorismo materno: as dificuldades dessa jornada

Como tudo na vida, para percorrer a trilha do empreendimento materno, você deverá passar por alguns obstáculos — assim como a Samanta, Natalia e Thaíla enfrentaram. “A primeira dificuldade foi precificar o meu produto. No início, eu não tinha ideia de como colocar preço nas minhas criações. Foi com muita pesquisa e ajuda da minha madrinha que aprendi e hoje consigo entender e calcular todos os itens que são necessários para a produção dos laços”, conta a Samanta.

Nathalia também sentiu os desafios na pele, com a falta de interação entre ela, clientes e colegas. “O empreendedorismo materno é, sobretudo, solitário. Assim como a maternidade. Às vezes é enlouquecedor, passo o dia inteiro tendo visto apenas minha filha de ser humano. Para quem trabalha em local fora de casa, acredito que essa sensação amenize muito”.

O papai pode ajudar? Na verdade, ele deve!

“Costumo dizer o pai não ajuda e sim compartilha dos afazeres. Existe uma relação de parceria desde que ela nasceu. Se eu tenho que produzir os laços enquanto a Sofia está em casa, o meu marido, Thiago, vai passear com ela ou brinca em casa. Além dos cuidados com higiene e alimentação. Então somos um só quando o assunto é a Sofia! Sou grata por ter ele ao meu lado”. (Samanta)

“Meu marido me apoia e me incentiva, não tenho uma rede de apoio efetivo… bem de vez em quando tenho ajuda da minha mãe, mas não é uma constante, e o pai biológico dá o devido suporte determinado judicialmente”. (Thaíla)

“Não tive rede de apoio durante boa parte da gestação e primeira infância. Hoje conto com meu atual companheiro, mas dentro das limitações dele, que trabalha fora”. (Natalia)

Quando nasce uma bebê, nasce uma mãe. E talvez uma empreendedora!

Ao contrário do que muitos pensam, o empreendedorismo materno não tem uma ligação obrigatória com a venda de enxovais ou coisas de criança, tampouco recreação infantil. Nesse segmento, existe um verdadeiro mundo de escolhas para as mamães que buscam autonomia, independência econômica e o mais importante: ficar bem pertinho do bebê ♥. Como vimos na matéria, ele não é apenas um trabalho, mas a necessidade de preservar a tão importante convivência entre mãe e filho nos primeiros anos de vida.

A licença maternidade está acabando e agora?

A jornalista Samanta revela que o segredo de continuar nessa batalha é a filha Sofia, sua grande motivadora. “Se hoje eu quero me tornar uma profissional mais qualificada, seja no empreendedorismo com os laços ou os trabalhos com o jornalismo, é por causa dela. Se hoje tenho garra para lutar pelos meus sonhos é porque tive mulheres que me mostraram que eu posso ser quem eu quiser ser. Como disse, fui criada por mulheres fortes, guerreiras e valentes e quero que ela também tenha inspirações femininas para ser o que ela quiser”.

Natalia complementa: “A oportunidade de estar presente em todos os momentos importantes da vida do seu filho, de poder comparecer à todas as reuniões escolares, apresentações e etc. Você monta seu horário de acordo com a sua disponibilidade, pode trabalhar em horários diversos e a única meta é você mesma que estabelece, logo, você sabe quando precisa parar ou continuar”.

Sentimentos das crianças: aprendizado começa com os pais

O mesmo vale para Thaíla, que, ao ser questionada se voltaria para o mercado de trabalho comum, responde com precisão: “Não existe salário no mundo que pague o tempo que eu perdi com os meus filhos. Estar com a minha família, ficar agarrada neles vendo um filme no meio da tarde, poder monitorar febres repentina e ir às festinhas da escola não tem preço”.

Samanta ainda deixa uma dica para as mães que estão começando no empreendedorismo materno. “Não desistam! Existem dificuldades sim, mas nossos pequenos são os maiores incentivadores. Alguns dias eu passava o dia pesquisando sobre contas, precificação e modelos que poderiam fazer sucesso. E esse é o caminho!”.

 

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