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Relato de parto: Iulianna

Relato de parto: Iulianna, 29 anos, normal humanizado

O casal Iulianna e Diego não pretendia ter filhos. Esta era uma decisão acertada: filhos só por adoção. Mas a vida? A vida é uma caixinha de surpresas! Uma cirurgia dentária fez com que Iulianna parasse de tomar anticoncepcional. Foi suficiente. Cinco dias de atraso na menstruação e um exame positivo fizeram a vida planejada pelo casal virar de ponta-cabeça. Assim, a mamãe da Amelie conta em seu relato de parto emocionante. Vamos conhecer esta história na íntegra?

Relato de parto: Iulianna

 

O relato de parto da Iulianna

 

Da descoberta

Poderia começar o relato de parto falando do tão sonhado desejo da gravidez. Mas, não. Por aqui não havia esse sonho. Na verdade, sempre tive pavor de gravidez, ver uma mulher com aquela barriga gigantesca me dava falta de ar. Diego e eu já havíamos resolvido que não teríamos filhos, talvez uma adoção num futuro mais distante. Mas a vida está sempre brincando com a gente, né?

Eu precisei parar de tomar anticoncepcional porque estava me preparando para fazer uma cirurgia de correção dentária e já perto de concluir o tratamento ortodôntico, a menstruação atrasou. Minha menstruação nunca atrasou. Mas, tudo tem uma primeira vez, né? Um dia, dois, três… E eu esperando. Meu peito já tinha dobrado de tamanho. Diego olhava e dizia: “tu tá grávida” e eu esperando. Cinco dias até ter coragem de comprar um desses testes de farmácia. Positivo.

As avós mais felizes. Os pais mais desesperados. E agora?

 

Da gestação

Não foi fácil. Ter uma pessoa dentro de você, aceitar as mudanças no corpo, ter que adaptar a mente. Chorei por várias vezes escondida no banheiro. Embora não pensasse em ficar grávida, sempre acreditei que o ideal era parto natural.

Liguei para marcar uma consulta com um obstetra. A exigência? A que tivesse vaga o mais próximo possível. A ginecologista obstétrica (GO) logo disse que se eu quisesse parto normal teria que ser com plantonista da maternidade, pois ela tinha seus horários e não poderia garantir estar presente no momento do parto. Até aí estava tudo tranquilo para mim.

Fiz um monte de exames, escutei o coração pela primeira vez. Acho que estava com 6 semanas, a imagem na TV não parecia um bebê, mas o coração já batia forte. Na volta à consulta, a médica mais assustou do que ajudou. Eu não poderia isso e aquilo, tinha que fazer isso, mais exames, ficar longe dos meus cachorros, entre outros absurdos que não valem a pena contar.

Conversando com a Bárbara, também grávida, descobri que ela tinha mudado de GO e fazia parte de um grupo no Whatsapp de apoio ao parto humanizado. Ela, então, me passou o contato de outro GO e eu entrei na fila por uma vaga no grupo das “Gestantes Poderosas” (GP).

A primeira consulta com o Dr. Jailson foi no mínimo encantadora. Médico sério, da voz tranquila… Nos sentimos tão acolhidos. Explicou um mundo de coisas, tirou dúvidas e descobriu o sexo do bebê perto das 15 semanas. Era uma menina! Nossa Amelie! (Ah… A ficha dá gravidez já tinha caído, o medo já tinha se transformado em amor).

Algum tempo depois, entrei no grupo das GP. Ali descobri que um parto normal em Teresina era um pouco mais complicado do que imaginava. Descobri que existiam diversas violências obstétricas (VO), que existe episiotomia (corte no períneo), manobra de Kristeller, entre outros nomes complicados. Descobri que parto humanizado não é parto na água, que existe pródromos (sinais de que o trabalho de parto está próximo), indução, que uma gestação pode ir além das 40 semanas, que pode fazer diferença ter uma doula e uma enfermeira obstetra (EO) no trabalho de parto. E que pra parir você precisa estudar e saber se defender.

Relato de parto: Iulianna

 

Do parto

Desde as 36 semanas de gestação, o Dr. Jailson dizia que a Amelie estava com a cabeça bem embaixo. As consultas agora eram semanais. Toda vez ela tinha descido mais. A ansiedade era grande. 37, 38, 39 semanas… “A casa é sua, porque não chega logo?”

Tive vários “alarmes”, todo dia parecia que era o dia. Aí eu resolvi tentar esquecer. A data provável era 12 de março, então vamos relaxar.

No dia 07 de março, acordei às quatro e meia da manhã, com uma cólica e contração forte. Mas já tinha acontecido antes, então voltei a dormir. Daqui a pouco, outra dor. Mas já tinha acontecido duas vezes. Respira e relaxa. E lá vem dor outra vez. Bom, aqui resolvi começar a cronometrar as contrações, uma a cada dez minutos. Acordei o Diego e avisei a equipe de enfermeiras e a doula o que estava acontecendo.

As dores eram fortes, mal sabia eu que o negócio ia apertar mais. Perguntei ao Diego se podia xingar. “Pode, xingue!” E soltei um “Cacildes”. “E isso lá é xingamento?” E rimos. Na verdade, não sabia se ria ou se sentia dor…

A Márcia (doula) chegou a minha casa. Com sua calma e suas terapias, começou a me tranquilizar. Aromas, moxa, agachamentos, bola, chuveiro, floral. Para mim, tudo era maravilhoso. Minha playlist tocava no celular, eu cantava e dançava. “Faça sua dor dançar”

A enfermeira obstetra já havia chegado. Estava tudo bem com a Amelie. Por volta do meio-dia, ela sugeriu fazer um toque. Eu moro longe da maternidade, então precisávamos ficar atentos, mas ela pediu pra eu não desanimar caso não tivesse com uma boa dilatação. 3/4 centímetros. “Calma, tudo está em calma, deixe que o tempo dure”. Vamos lá. Continuar os movimentos. “E se você fecha o olho, a menina dança”.

Almocei sentada na bola, pulando a cada contração. Cada dor indicava que estava mais perto. Duas horas depois, outro toque. A EO me perguntou “Quer saber? (…) Tchanrã 7 centímetros! Eu sorri! Então estava na hora de ir.

Diego foi dirigindo e eu fui com a doula no banco de trás. As contrações estavam mais próximas e dolorosas. E em certa altura, olhei para o lado e vi meu irmão. O que você faz numa hora dessas? Isso mesmo! Baixei o vidro e disse: “ei doido, tô indo pra maternidade!” E ele: “pois mais tarde apareço lá”. E seguimos.

Na maternidade parecia que as coisas iam mais devagar. Continuava com os sete centímetros, com os agachamentos e bola. Dr. Jailson chegou para examinar e perguntou se eu queria que ele estourasse a bolsa. Eu disse que não, preferia esperar. “Um pouco mais de paciência”.

Por volta das 18 horas, fui para o centro cirúrgico. Estava com 9 centímetros. Em breve teria minha filha nos braços. E lá fui para banqueta, fiz mais agachamentos, dancei levemente. Estava muito cansada, mas quando pensei que não ia aguentar, lembrei-me de alguns relatos que diziam que quando chegava esse momento era porque estava perto.

Em nenhum instante passou pela minha cabeça pedir cesárea ou analgesia. Mas pedi para estourar a bolsa. Dr. Jailson examinou e disse que a dilatação estava completa, a bolsa possivelmente ia estourar, mas ele atendeu meu pedido. Senti um mundo de água descendo. Chegava o momento mais complicado para mim, o expulsivo. Não pela dor, essa eu já tinha aprendido a lidar. Mas eu precisava fazer força, isso para mim foi muito difícil. “Põe fé que já é”.

O tempo passando, passando. Respira fundo. Lembro-me do Jailson falando na sua tranquilidade de sempre: aproveita a contração e faz força. Lembro-me da doula dizendo: A Amelie tá chegando. Eu ainda conseguia sorrir. Em algum momento, lembro-me do doutor falando que a Amelie estava transversa (ou algo parecido) e que ele iria ajudar. E ele posicionou minha pequena.

O tempo passando, as contrações eram muito fortes, porém estavam levando cerca de dois minutos entre uma e outra. Para um expulsivo, era demorado. Precisamos da ocitocina sintética. E a partir dali, foi bem rápido. Já sentia minha menina chegando. Em determinado momento, Dr. Jailson disse, não precisa mais fazer força, agora é só respirar. Eu sorri.

Amelie nasceu com 39 semanas e dois dias, com 3,045 quilos, 49,5 centímetros, às 20h23, com uma circular no pescoço e o que chamaram de deprimida. Ela parecia estar dormindo. Não chorou nem se mexeu. Minhas mãos tremiam. Tão linda. Ela precisou ser levada, Diego foi atrás e acompanhou tudo. Ouvi o chorinho dela de longe. Em pouco tempo ela estava de volta aos meus braços.

“Não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor porque você chegou”.

Relato de parto: Iulianna

 

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Não importa como foi o seu parto. Todo nascimento é lindo e forma uma boa história. Vamos adorar conhecer o seu relato de parto! Encaminhe para nós pelo e-mail redação@ficargravida.com.br com nome, idade e fotos da família.

 

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