HomeHistórias de SucessoRelato de tentante: Luana, 31 anos, mãe da Helena
Relato de tentante: Luana

Relato de tentante: Luana, 31 anos, mãe da Helena

O relato de tentante desta semana é a prova de que, nem sempre, um diagnóstico negativo é o fim de tudo. A jornalista Luana Fernandes, de 31 anos, realizou o sonho de ser mãe após passar por uma gravidez anembrionária que resultou em um aborto, um ano de tentativas e o aparecimento de dois miomas. Tantas negativas durante este período fizeram ela e o marido perderem as esperanças. Mas, enquanto a fé estava indo embora, um bebê já estava a caminho. Acompanhe esta história e inspire-se a não desistir do que está escrito para ser seu!

 

Se você tem um relato de tentante? Encaminhe a sua história para nós com nome, idade e fotos para o e-mail redação@ficargravida.com.br. Vamos adorar conhece-la!

 

Relato de tentante: Luana

O casal qusase desistiu após mais de um ano de tentativas e algumas negativas no caminho

 

Relato de tentante da Luana

“Sempre sonhei ser mãe! Desde quando minhas “filhinhas” eram apenas bonecas. Rafael, meu marido, também sempre sonhou com um filho. Era o nosso plano principal de vida! Casei em 2013 e já não tomava anticoncepcional. Era adepta da tabelinha e do coito interrompido. Após seis meses de casada, começamos as tentativas efetivas. Quatro meses depois, três dias de menstruação atrasada e um teste positivo. Ficamos radiantes! Enfim, iríamos formar a família que sempre planejamos.

Pelo exame Beta hCG quantitativo, descobrimos que a gestação era recente, de cinco semanas. Marcamos o primeiro ultrassom e contamos para toda a família. Nossos pais seriam avós pela primeira vez, assim como nossos irmãos iriam estrear no “cargo” de titios! Todos estavam muito felizes.

Uma semana depois, as provações começaram. Em um domingo, assim que acordei, tive um sangramento. Como tudo era totalmente desconhecido para mim, o susto foi enorme. Achei que estava perdendo meu bebê. Corremos para o pronto-atendimento mais próximo e a plantonista nos acalmou. A plantonista fez um exame de toque e garantiu que estava tudo certo, mas recomendou que eu procurasse o obstetra rapidamente. Como já estava com consulta marcada, fiquei mais tranquila.

Passado o susto, a euforia de pais de primeira viagem voltou. Fazíamos planos, pensávamos em nomes e em como faríamos quando eu precisasse voltar ao trabalho após a licença-maternidade. Tínhamos sonhos de uma vida inteira para realizar com este bebê.

O dia da primeira ultra chegou! Estávamos muito ansiosos para ouvir o coração do bebê pela primeira vez. Foi aí que veio o segundo baque: nada de batimento. O saco gestacional estava vazio, nenhum pontinho se mexia para indicar vida. Ali o meu coração gelou. Mas ainda sim, a médica nos deu esperanças: “você pode estar com menos semanas do que imagina e, por isso, não conseguimos ouvir os batimentos e nem ver o embrião”. Pediu para que voltássemos ao médico e marcássemos uma ultrassonografia para a 9ª semana para ouvir um coraçãozinho ou para confirmar a gravidez anembrionária. Foi o que fizemos!

Esperamos por um mês para voltar a fazer o exame. Foi o mês mais longo da minha vida. Em nossas orações diárias pedíamos pelo nosso bebê, mas também queríamos que a vontade de Deus fosse feita. E ela foi. Estava em uma gravidez anembrionária, quando o óvulo fertilizado é implantado no útero, mas o embrião não se desenvolve. Choramos muito. Doeu demais! Eu me senti oca, vazia.

Precisei passar por um aborto induzido. Tomei um remédio que me dava enjoo e cólicas. Em três dias, sofri com as contrações e expeli o saco gestacional. Queria que o sofrimento fosse junto, mas não aconteceu. A partir daquele instante teria que lidar com o vazio, com a nossa tristeza e com o medo de passar por tudo isso novamente em uma nova tentativa.

Relato de tentante: Luana

Mesmo com dois miomas no útero, Luana teve uma gestação tranquila e um parto (cesárea) sem problemas

Seguimos em frente. Despedaçados, mas prontos para uma nova tentativa, que só poderia recomeçar três meses após o aborto. Não desistiríamos na primeira negativa. Então, fomos nos consolando, lendo muito sobre o assunto e entendendo tudo o que tinha nos acontecido. O sonho foi adiado.

Os três meses passaram. Recomeçamos as tentativas. Os meses foram passando, a ansiedade aumentando e nada de gravidez. Queríamos tanto um teste positivo que tentávamos todos os truques que nos passavam. Mas nada. Foi então que o meu marido, preocupado com a possibilidade de ter algum problema de fertilidade, procurou um médico.

Mais um susto. O urologista indicou uma possível varicocele, uma das principais causas de infertilidade nos homens. Eu não conhecia nada sobre a doença. Rafael também não. O doutor falou pouco sobre o assunto, não quis assustar. Na primeira pesquisa no Google, ficamos sem chão. A doença seria confirmada por um ultrassom escrotal, marcamos e oramos por um diagnóstico diferente.

Neste meio tempo, fomos a um médico especialista em reprodução. Ele nos tranquilizou, nos deu esperança e começou a analisar primeiramente o Rafael. Também aguardou o resultado do ultrassom escrotal para dar qualquer diagnóstico e começar a rastrear o meu perfil reprodutivo. Após alguns dias de angústia, o resultado para varicocele deu negativo. Os espermatozoides eram saudáveis e sobreviviam tempo suficiente para reproduzir. Perfeito. Rafael estava apto para ser pai. Agora era a minha vez.

Além das consultas com o especialista em reprodução, eu continuava o tratamento com a ginecologista obstétrica da primeira gestação. Tinha exames de rotina para fazer, o que já adiantou muita coisa. Só não imaginava que deles viria mais um baque. No período entre gravidez, aborto e novas tentativas, um mioma minúsculo que eu tinha no útero se desenvolveu e ganhou um companheiro: ou seja, tinha dois miomas consideravelmente grandes.

Minha médica viu o exame, me encaminhou para um especialista na doença e sentenciou que esta era a causa de tanta demora em engravidar novamente. Eu pensei: vou tratar e consigo engravidar, tudo certo! Só não esperava que o médico indicado me desse um banho de água fria. Ele foi categórico (e grosso): “você não vai engravidar enquanto não retirar estes miomas. Ou você opera agora para retirar, ou você não vai engravidar. Pode ser que até perca o útero se demorar muito”. O médico terminou a consulta me encaminhando para exames pré-operatórios, um papel com o custo da cirurgia (quase R$ 2 mil) e a previsão de um ano após a cirurgia para tentar a engravidar novamente.

Eu chorei. Ali mesmo. Não entendia porque tanta dificuldade. Só queria ser mãe. É tão fácil para tanta gente, por que comigo seria diferente? Sai arrasada do consultório! Rafael me amparou, mas também não segurou o choro. Era muito difícil entender. Acredito que só quem passa por isso sabe. A sensação é de que você não é digna e isso corta na carne. Dói.

Relato de tentante: Luana

Helena nasceu às 0h00 do dia 5 de setembro de 2016 com 3,550 quilos e 50 centímetros

Eu, católica desde que nasci, perdi a fé. Enxuguei as lágrimas e decidi que ia fazer todos os exames e operar o mais rápido possível. Por dentro, não tinha mais esperanças. Até este diagnóstico, passamos por um ano de tentativas. Estávamos cansados. Começamos a pensar em outras possibilidades, começamos a questionar se nós éramos merecedores desta dádiva. A gente não tinha mais esperança.

Na mesma semana, marquei os exames. Era dezembro, próximo das festas de fim de ano. Estava decidida a operar no próximo mês, assim que o ano iniciasse. Mal sabia eu o que 2016 me reservava. Meus amigos e familiares nos abraçaram neste momento, mas poucos sabiam o que estávamos passando de verdade. Mas a luz veio de uma amiga de trabalho: procura uma segunda opinião. Eu estava tão cega de dor que não queria ler mais nada sobre o assunto, não procurei outro médico. A verdade é que pensava em operar rápido e ficar livre daqueles miomas que me impediam de ser mãe. Só que o conselho de uma amiga ficou na cabeça. Marquei o médico que ela me indicou, outro especialista, para o início do ano.

Uma semana de tormenta se passou. Exames marcados, segundo médico marcado, vamos nos preparar para o Natal. Tanta coisa na cabeça que nem me lembrei da menstruação. Quando dei por mim, ela estava atrasada. Descrente, pensei: deve ser por causa do mioma. Não fiz teste. Três dias de atraso e uma azia me fez desconfiar. Fiz o teste de farmácia e deu negativo. Mais uma vez, pensei: são os miomas. Os dias foram passando e nada de menstruação, só uma azia horrorosa e um sono absurdo. A esta altura, Rafa e minha mãe também desconfiavam. Mas eu quis esperar e marquei: no último dia do ano, quando completam 10 dias de atraso, eu faço outro teste.

Eu entrei o ano de 2016 com a melhor notícia da minha vida. Estava grávida novamente! Nos primeiros dias do ano, fiz o Beta hCG quantitativo, estava de cinco semanas. Ou seja, enquanto o médico estava sentenciando o meu útero a esperar um ano para engravidar, eu já estava gerando um bebê. Não voltei mais nele para contar, mas queria muito.

O médico indicado para uma segunda opinião fez o meu pré-natal e me explicou, de forma correta, onde os meus miomas estavam, porque demorei a engravidar e que eu teria uma gestação normal, já que eles não afetariam em nada o desenvolvimento do feto. No início, tive medo de passar por tudo novamente. Mas, desta vez, o primeiro ultrassom foi perfeito. Tive uma gravidez maravilhosa. E, hoje, sou imensamente feliz com a filha tão sonhada: Helena.

O que eu tirei de tudo isso? Jamais perder a fé! Quando está escrito para ser seu, nada pode apagar. Ainda tenho um mioma em tratamento e me preparo para uma próxima gestação, mas sei que nenhum diagnóstico vai me fazer desistir novamente. A força e a sabedoria que eu e meu marido adquirimos com toda esta história serão nossas para sempre”.

 

Não quer perder nenhuma de nossas dicas??
Siga todas as nossas redes sociais

Facebook, Instagram (@ficargravida) e Pinterest.

 

Leia mais

Relato de parto: Paloma, 21 anos, cesárea

Estudo aponta que cafeína prejudica a fertilidade nas mulheres

Compartilhe:
Classifique este artigo

O Ficar Grávida é um blog com conteúdo voltado para mulheres que estão grávidas, já são mamães e também para as que querem engravidar. Aqui, nós conversamos sobre gravidez, filhos, saúde, comportamento, decoração, histórias inspiradoras e muito mais! Entre em contato com a gente!

redacao@ficargravida.com.br

Sem comentários

Sorry, the comment form is closed at this time.